A Paineira que existia no interior da escola foi, por muitos anos, um símbolo vivo de acolhimento, convivência e pertencimento, acompanhando gerações de estudantes e servidores, até que, adoecida e representando risco, precisou ser cortada, em um momento marcado por comoção coletiva, silêncio respeitoso e pela compreensão de que cuidar também significa saber se despedir.
QUERIDA PAINEIRA
No coração da escola
erguia-se uma Paineira.
Não apenas árvore:
era sombra, silêncio, testemunha.
Viu chegar gerações com mochilas e sonhos,
ouviu risos no recreio,
acolheu conversas tímidas,
aprendeu os segredos que só o tempo ensina.
Suas raízes fincadas na terra
lembravam que educar é criar base,
é sustentar,
é firmar o futuro com paciência.
Seu tronco forte ensinava resistência:
quantas tempestades passaram,
quantos ventos tentaram dobrá-la,
e ela permaneceu, firme, inteira, presente.
Mas até os símbolos mais fortes adoecem.
E quando a Paineira precisou partir,
a escola sentiu.
Silêncio no pátio.
Olhos marejados.
Coração apertado.
Cortar não foi esquecer.
Foi cuidar.
Foi escolher a vida,
mesmo quando ela muda de forma.
A Paineira nos ensinou, então,
uma das lições mais difíceis da educação:
há ciclos que se encerram,
há despedidas que doem,
há perdas que também educam.
Ela caiu em pé na memória,
transformou-se em lembrança,
em história,
em raiz invisível que continua sustentando
quem passa por aqui.
Que seus galhos sigam vivos nos valores,
que sua sombra permaneça no afeto,
que sua força inspire nossas escolhas.
Porque uma escola que chora uma árvore
é uma escola que aprendeu a cuidar.
E educar, no fundo,
é isso:
ensinar a amar,
mesmo quando é preciso deixar partir.
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